História

Histórico de Itiquira
Primitivamente a região era habitada por povos indígenas. Os bandeirantes deram aos índios diversos nomes: caiapós, coroados, guató . Por falta de descrição adequada, não se pode identificar povo indígena, apenas pela fala dos bandeirantes. Provavelmente a região era extremo sul da área de atuação do povo bororo . Entretanto, hoje em dia não resta aldeia indígena alguma de povo nenhum. No dia 11 de junho de 1849, o João José da Costa Pimentel foi nomeado para a presidência da Província. Na viagem para Cuiabá, deixou para trás o filho, Ajudante de Ordens, Antônio Corrêa da Costa Pimentel, incumbido do transporte da carga. Antônio foi assaltado e flechado por índios à beira do Rio Itiquira, na noite do dia 09 de outubro de 1849, vindo a falecer. O pai, Presidente da Província, organizou duas expedições punitivas em Cuiabá e Miranda, no entretanto infrutíferas. Apesar do Rio Itiquira favorecer a penetração bandeirante, não consta documentação sobre ocupação precoce para fins de garimpo. Nessa época, já estava sendo implantada na região a linha telegráfica de Cuiabá ao Araguaia, sob a responsabilidade de Cândido Mariano da Silva Rondon. Ele fez amizade com os bororos, procurando aprender sua língua e manter o respeito ao seu modo de vida. Com isso conseguiu que participassem na abertura das linhas telegráficas. O Marechal Rondon constrói uma estação telegráfica às margens do rio Corrente e isso propicia também a edificação de um grande armazém distribuidor de mercadorias vindas do porto de Santos (SP), via Corumbá, pela estrada de ferro Noroeste do Brasil. O transporte de Corumbá para o armazém do porto do rio Corrente era feito por lanchas rebocadas por motor a vapor de uma caldeira com fogo a lenha. Essa viagem durava de oito a doze dias, pelo rio Paraguai. Em 1894, na região do município de Itiquira, foram realizadas algumas incursões em busca de riquezas e o processo de desenvolvimento histórico ocorreu de forma dispersa, refletindo a pouca intensidade das atividades de exploração mineral e de pecuária durante o fim do século XIX e a primeira metade do século XX. No dia 21 de junho de 1897 foi feita a primeira exploração do sertão leste mato-grossense. Comandada pelo sertanista Antônio Cândido de Carvalho a expedição era composta por Celso Pasini, José Francisco Vilella e Bonifácio de Ribeira Macedo e mais os camaradas Salustiano Duarte Moraes, Manoel Pedro Serra Dourada, Manoel Francisco de Oliveira e Baldoíno José da Silva, parte do porto do rio Itiquira em direção ao rio das Garças, descobrindo o seu nascedouro. Há quem afirme que esse sertanista atingiu também, numa de suas excursões, o porto da cidade de Corumbá, onde se abastecera, regressando acompanhado do Sr. José Salgueiro, que por aqui se radicou. Antônio Cândido de Carvalho foi o primeiro explorador desta região descobrindo que o potencial econômico do município de Itiquira era voltado para as atividades agropecuárias, com destaque para a extração de borracha dos extensos mangabais, para depois ir diminuindo essa atividade dando lugar a criação de gado.

Com a propaganda da excelência das terras, não tardou que chegassem novos aventureiros, uns interessados nos campos para criação, outros, na extração da borracha.
Nascido em Jatai (GO), em 1860, Antônio Cândido de Carvalho era filho de José Carvalho Bastos. Se estabeleceu na região denominada Santo Antônio da Guia, perto do armazém – geral à beira do rio Correntes e foi um dos maiores comerciantes desta região.
Antônio Cândido, porém, não presenciou o desenvolvimento da grande região que palmilhara, cujo futuro descerrou ao revelar a incalculável riqueza diamantífera do Rio das Garças, pois faleceu prematuramente, com 46 anos, no dia 25 de março de 1906.
A pecuária foi o primeiro fator a impulsionar o início do povoamento. As terras foram abrigando peões que cuidavam das terras das famílias Ferreira e Carvalho, lendários proprietários das glebas que hoje compõem o município. tudo, naquela época era cerrado e pastagens onde o gado vivia solto. Na época o pioneirismo e a garra de Serafim de Carvalho ( irmão de Jerônimo Ottoni de Carvalho fundador da vila de Lageado, atual Guiratinga) transformaram-no maior fazendeiro da região onde o nome da Fazenda Boa Esperança, de sua propriedade, era sinônimo de fartura e poder. Muitas história e lendas são narradas ainda hoje em torno da pessoa do “Velho” Serafim, como é chamado. O nome ITIQUIRA, uma denominação dos bororos já existia nessa época e é uma palavra de origem tupi Y-TYKYRA, que significa água vertente, água em abundância, o minadouro.

Em meados da década de 1860, José Salgueiro, imigrante português, hábil comerciante, de personalidade muito marcante se estabelece em Ivapé, hoje município de Santa Rita do Araguaia (GO) e se torna um grande comerciante de sal, cereais, arame, tecidos, ferramentas e demais utensílios. Essas mercadorias eram compradas uma vez por ano, sempre nos meses de julho e agosto, e só eram pagas no ano seguinte, sem juros . Também negociava gado que era tocado em grandes boiadas com destino a São Paulo.
Dadas as dificuldades de transporte das mercadorias vindas principalmente da cidade de Uberlândia (MG), Jatai (GO) e da cidade de São Paulo, José Salgueiro estudou a possibilidade de transporta-las do armazém geral às margens do rio Corrente a Ivapé. Como não havia estrada ligando esses dois lugares José Salgueiro empreitou a Francisco José de Oliveira ( conhecido em Itiquira por Chico Mestre) , e a sua equipe de oito homens experientes entre eles o sertanista José Carrijo Cajango ( Zé Cajango – sogro de Jerônimo Ottoni de Carvalho) uma picada superior a 180 Km ligando de Ivapé até o rio Corrente.
Na primavera de 1904, Francisco José de Oliveira e a sua equipe iniciaram a empreitada cheia de dificuldades. Chico Mestre usando dos recursos de que dispunha procurou traçar uma estrada em linha reta e para isso designou que Zé Cajango partisse na frente, com dois companheiros mais um cozinheiro e que penetrasse na mata tanto quanto possível e montasse acampamento, fazendo grande quantidade de fumaça para que fosse localizado o rumo certo e seguir com a picada. E assim procederam até o porto do rio Corrente.

Graças ao sonho do fazendeiro José Salgueiro e à coragem de Chico Mestre e Zé Cajango essa picada possibilitou, primeiramente, o tráfego de animais que transportavam mercadorias no lombo, e, posteriormente dos carros de boi. Itiquira assim, passou a ser rota do sal que chegava no porto de Santos (SP) de barco, passava por Corumbá e seguia pelo rio Corrente até o pé da Serra de São Jerônimo para, depois, continuar caminho com destino as fazendas da região como também as de Minas Gerais e, principalmente, Goiás.
A estrada salineira de Ivapé, como ficou conhecida na época, posteriormente denominada estrada do Salgueiro, possibilitou a instalação de pousadas, acampamentos ao longo do seu percurso para depois irem se transformando em pequenos povoados e denominando regiões como Cabeceira das Araras, Fazenda Abilio Maia, Córrego Engano, Capoeirinha.
Em 1908, Chico Mestre, depois de abrir a picada da estrada salineira e encantado com as belezas naturais da região escolhe Itiquira para fixar residência e com isso seus filhos José Ignácio de Oliveira (Minzeca), Josias José de Oliveira (Josias Mestre) e Honório José de Oliveira (Nego Mestre) o acompanham em 1910 com suas respectivas esposas nas fazendas Serra Negra, Coroa e Ponte de Pedra. Esses pioneiros viviam do trabalho da lavoura e da pecuária sem qualquer recurso material, de transporte e assistência médica. Somente por volta de 1920 se fixa na região o Dr. Manoel Fernandes Dourado, dentista português, que também atende como clínico geral fazendo, inclusive, partos, dada a falta de condições da época. Se casa mais tarde com Luzia Carvalho, uma das filhas de Serafim Carvalho e muda para a cidade de Santos.
Em 1924, as pessoas que viviam nas fazendas de Itiquira são tomadas pelo terror quando 800 homens, denominados de Revoltosos, chefiados pelo tenente Siqueira Campos ,assaltaram e tomaram, por alguns dias, as fazendas , espalhando destruição, sacrificando criações e matando gente. Eram militantes da Coluna Prestes que percorreram mais de 25.000 Km pelo território nacional, entre os anos de 1924 a 1927, divulgando as idéias comunistas e fazendo oposição a Getúlio Vargas. Muitas famílias se refugiaram na mata esperando que fossem embora. Podemos avaliar parte desse drama pelo testemunho de Aldo de Oliveira : “ Ninguém sabia ou imaginava que poderia acontecer aquela catástrofe, pegando de surpresa toda aquela comunidade. Lembro-me de ouvir meu pai contar que nossa casa, naquela época, estava cheia de açúcar, rapadura, farinha de mandioca que produzíamos. As tuias (Tulha) de feijão e arroz, o paiol de milho estavam todos cheios . Tínhamos muitas vacas apartadas de bezerro novo, e também doze capados gordos no chiqueiro. Perdemos quase tudo .Passamos três meses nos alimentando com carne de caça e da mandioca que sobrou da roça”, esse episódio teve fim quando as tropas do Governo foram enviadas para Itiquira para por fim a situação. Foram diversos os confrontos entre as tropas legalistas e os militantes da Coluna Prestes . Uma das batalhas aconteceu perto do rio Roncador onde estão enterrados, ainda hoje, cerca de sete corpos tombados na luta sangrenta em defesa de um ideal.
A partir de 1932 até o final dos anos 40 a exploração do diamante encontrado em profusão, trouxe migrantes do nordeste, de municípios vizinhos como Guiratinga ( então Lageado) , Poxoréo e até estrangeiros – como russos, alemães e portugueses – que se embrenhavam nas matas que margeavam o rio Itiquira em busca do sonho de riqueza.
José Costa Ramos foi sem dúvida dos primeiros garimpeiros, que em 1933, fixou residência onde hoje se encontra a Praça dos Garimpeiros, com uma estátua em sua homenagem. Depois dele foram chegando outros e, dentre estes, Pedro Campos, mais conhecido por “Pedro Barracão”, que depois trouxe de Santa Maria da Vitória (BA) os irmãos Laudelino e Anfifófio Campos. Com o tempo outros garimpeiros foram se estabelecendo na região tais como Oscar Silveira, Olímpio Lira, Alípio Diamantino, Silvestre Silvério Ribeiro e Vicente Silvério Ribeiro. Os três primeiros se estabeleceram no lugar a que denominaram Garimpo Goiabeira e os dois últimos, no atual Garimpo do Cavoqueiro.
Com a chegada de novos exploradores, ricas minas foram então descobertas no Vale do Ribeirão das Velhas, atraindo maior número de garimpeiros que tiveram que enfrentar, também, entre as muitas dificuldades que o sertão impõe, um forte surto de malária, que ali revelou-se em caráter maligno e epidêmico, fazendo numerosas vítimas dentro de um espaço de tempo relativamente curto. Em 07 de agosto, foi esse garimpo visitado pelo Serviço Nacional da Malária, mais tarde, Departamento Nacional de Endemias Rurais, que ali executou, pela primeira vez, o serviço de profilaxia contra essa endemia. Com a chegada de outros garimpeiros, em sua maioria, procedentes do Rio das Garças, que se localizaram às margens do Rio Itiquira, foi formada uma pequena corrutela.

Surgiram também os primeiros comerciantes, entre outros: Filadelfo Miranda, José de Almeida, Rufino Araújo e Melquíades Miranda.
Em 1.920, chegou em Itiquira-Mt, o Sr. Anaides Alves Cabral, conhecido por “ICO”, juntamente com seus pais Leurentino Dias e D. Luzia Cabral, onde na Fazenda Olaria, plantaram um dos maiores cafezais e bananal , que já se ouviram comentar nessa redondeza, onde era comum a permanência de varias
famílias trabalhando em suas terras e dela tirando o seu sustento, tendo em vista que o solo da referida fazenda eram bastante férteis, sendo esses trabalhadores chamado de meeiros naquela época. No dia 11 de agosto de 1935 é registrado o nascimento de Jaime Campos, filho de “Pedro Barracão” a primeira criança a nascer em Itiquira. Nesse mesmo ano se instala a primeira farmácia. Itiquira integrava primitivamente o município de Coxim. Através da Lei Estadual Nº 13, de 25 de Abril de 1936, foi elevado à categoria de Distrito de Paz, ainda fazendo parte daquele município, hoje sul mato-grossense.
Em 1938, 500 garimpeiros viviam da extração do diamante e Itiquira possuía somente duas casas cobertas com telha de barro. A pecuária das famílias Ferreira e Carvalho e as roças das fazendas supriam os garimpeiros de comida.
O garimpo já começava a perder a sua força no final dos anos 40. Mas dois acontecimentos marcaram a vida da cidade nessa década. O primeiro foi a chegada do primeiro padre, de nome Januário que veio a cavalo para fazer o primeiro batismo de 70 pessoas, em 1941 e passou a fazer visitas freqüentes a cidade. O segundo acontecimento foi a vinda do médico Dr. Varela.

O processo de emancipação política de Itiquira começou com a visita que o então Governador do Estado Júlio Müller fez aos garimpos do município. O governo estadual, na época, preocupava-se em fixar a mão-de-obra ociosa dos garimpos decadentes. Para isso Júlio Müller, além de legalizar o patrimônio do município, com 3.600 hectares de terras, também mandou um rapaz de Alto Araguaia, Waldemar Lins, para ensinar o ofício juiz de paz a José Ferreira de Carvalho.
A partir dessa época não havia mais necessidade de se deslocar até Alto Araguaia para registrar uma criança ou um casamento.
O cartório de paz local registrou como primeiro casamento o do casal Lúcio Mendonça com Cândida Maria de Jesus, em 20 de dezembro de 1939. Os primeiros nascimentos datam de 25 de novembro do mesmo ano, de Eloi Soares Lins ( filha de Valdemiro Lins e Jerônima Moraes Lins) e Pedro Malaquias de Farias (filho de Maximiano Vieira de Farias e Vitorina Vieira).
Estabelecido o Cartório e legalizado o patrimônio, os primeiros passos estavam dados rumo à emancipação. A Lei Nº 118 que criou Itiquira, data de 19 de outubro de 1937, reservou a área de 3.600 hectares para a instalação oficial do patrimônio de Itiquira, que ganhou este nome em função do rio homônimo, pertencendo ao município de Santa Rita do Araguaia.
Essa área de terras, segundo a referida Lei, pertencia às fazendas Roça Velha e Retiro do Engenho, de propriedade de Francisco Ferreira Coelho.
Para conseguir a emancipação era necessária a existência de 500 eleitores. Na época, poucos tinham título de eleitor. Como o Estado de Mato Grosso estava criando novos municípios, enviou um representante do Poder Judiciário de Alto Araguaia para inscrever novos eleitores. Esse representante chegou a Itiquira no final da tarde de um dia e foi embora nas primeiras horas do dia seguinte, sem fazer uma inscrição sequer, por falta de dinheiro e de fotos da população.
Adelino Campos relata com muito orgulho sua odisséia para resolver as dificuldades impostas pelo sonho de emancipação:
Fui a Cuiabá, requisitei uma máquina fotográfica e 40 filmes para que o Sr. Ia Correia, um fotógrafo que vivia na cidade, pudesse fazer as fotos necessárias para os títulos. Depois, fui ao juiz de direito de Alto Araguaia e requisitei os títulos para serem assinados em Itiquira mesmo. O juiz forneceu-os e deu o prazo até o dia trinta de julho para entregar os títulos de volta.

Montei no meu burro e sai por todo o município, até conseguir registrar 509 eleitores. Com as inscrições prontas, fiquei esperando até o dia 29 a chegada do caminhão do mascate, para ir de carona até Alto Araguaia. Só que o caminhão não apareceu. E, à noite, sai a pé para vencer uma distância de 120 Km até Alto Garças com a intenção de pegar um avião e seguir a Alto Araguaia, pois o prazo se extinguiria no dia seguinte.

Essa viagem foi marcada por muitos imprevistos. Depois de andar cerca de 42 Km encontrei um acampamento policial, onde

requisitei uma condução. Para meu azar, não havia gasolina na viatura. Continuei , a pé, por mais quinze quilômetros, tentando chegar ao entroncamento de Guiratinga e conseguir uma carona.

O único veículo que passou no entroncamento foi um caminhão, dirigido por um conhecido, Paulo Borges. Só que

Paulo havia “roubado” uma mulher e seguia com ela pela estrada e temeroso de alguma represália não parou.

Não me restava outra alternativa senão continuar percorrendo a pé a viagem na tentativa de entregar a documentação dentro do prazo. Cheguei a Alto Garças com o sol clareando. Não agüentava mais de tanto andar. O cascalho da estrada havia comido a cabeça dos pregos dos sapatos e quase não prestavam mais. Resolvi me lavar no rio e quando estava pronto para continuar a viagem surgiu um Jipe.

Era um enviado de Dª Loura, a proprietária da Pensão da Mata, que estava para me pegar e levar até o Araguaia. Às onze horas do dia 30 chegamos a Alto Araguaia.
Ondino Rodrigues de Lima ( pai do ex-deputado Pedro Lima) e o Dr. João Araújo já me esperavam e fomos até o Cartório Eleitoral. O Juiz, sabedor dos problemas e dificuldades que tinha passado, deferiu todos os títulos.
A volta foi bem mais fácil. O Dr. João Araújo colocou um avião a minha disposição e estava encerrada aquela missão para começar outra que era a tramitação do processo de emancipação junto a Assembléia Legislativa.
Fui a Poxoréu para contatar o deputado João Marino Falcão (UDN) que encaminhou o pedido de criação do Município sem qualquer problema.”
No dia 03 de outubro de 1953 diversos moradores do então distrito de Itiquira assinam um documento credenciando o Sr. Henrique Evangelista de Oliveira para tratar da emancipação junto as autoridades da época com os seguintes dizeres:
“Nós abaixo assinados, todos residentes e domiciliados neste Distrito de Itiquira, elementos de várias classes e partidos, unidos e coêsos num único propósito de levar-nos a efeito a muito almejada emancipação do Distrito de Itiquira, que, para isso resolvemos credenciar o signatário deste o cidadão Henrique Evangelista de Oliveira, para entabular negociações precisas com quem de direito para que se cumpra as nossas aspirações. A deve que se empenhar junto as autoridades competentes prestimando os nossos intentos poderá contar com o apoio geral e incondicional dos “Itiquirenses” nas futuras e determinadas ordens dêsse quem concretizar os nossos ideais de sermos livres.

A população
No final dos anos 60, uma iniciativa governamental, através de incentivos fiscais para atrair capitais e tecnologia para o desenvolvimento regional, determinou uma nova ocupação da região, trazendo investidores
paulistas, mineiros, gaúchos e paranaenses. Certamente, a criação de rodovias como a Cuiabá – Campo Grande, a Belém – Brasília nos anos 60, além da BR-
364 e da BR -70 , foram fatores determinantes para que esse fluxo populacional alcançasse o território mato-grossense e em especial o município de Itiquira.
Nessa época a paisagem e a economia regional foram dominadas pela pecuária extensiva. As pastagens plantadas eram formadas geralmente em áreas onde o arroz de sequeiro havia sido cultivado. Já os cerrados foram aproveitados como pastagens naturais. Nessa época, iniciou-se a compra de lotes dos antigos colonos por pecuaristas de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
No início da década de 70, a pecuária já apresentava predominância especial no município de Itiquira.. Foi nesse período que os paranaenses e gaúchos, principalmente, tentaram implantar a lavoura mecanizada, sem no entanto obter sucesso devido à diferença existente entre as condições de solo, clima e tecnologia utilizada no sul do País, e que precisava ser adaptada às condições desta nova região.
Percebendo o potencial do Centro – Oeste o governo federal implantou o Polocentro, programa de incentivos que visava incorporar 3,6 milhões de hectares de cerrado à atividade agrícola.. A implantação do Polo-centro foi fundamental para o estímulo na produção de grãos em Itiquira como também para o acréscimo populacional.
Foi na década de 70 que ocorreu o maior crescimento populacional no município, associado sobretudo à migração gerada pela expansão da atividade rural.
Em Itiquira predominam os nascidos na região Centro – Oeste. Em segundo lugar, os migrantes provenientes da região Sul, sobretudo Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A região Nordeste, principalmente o Estado da Bahia, aparece em terceiro lugar, seguida da Sudeste, destacando-se São Paulo, na contribuição de migrantes para o município.
O município de Itiquira tem na agricultura e na pecuária a base se sua economia, colocando-se, juntamente com Rondonópolis, entre os maiores
produtores de soja do Estado de Mato Grosso. O ICMS arrecadado com a produção agrícola constitui a maior fonte de arrecadação de Itiquira, enquanto os demais setores da economia – indústria – comércio e serviços – são de pouca representatividade. De acordo com o censo de 1980, 79,2% da população economicamente ativa (PEA) de Itiquira estava aloucada nas atividades primárias.
Economia
No período de 70/85 Itiquira aumentou extraordinariamente a sua área de lavoura, em torno de 9.080%. Esse aumento é creditado à lavoura de soja, da qual Itiquira ocupava o primeiro lugar na produção estadual de grãos ( incluindo o Estado de Mato Grosso do Sul ) no início dos anos 80. Por outro lado, o aumento da área de lavouras permanentes em Itiquira no período acima mencionado deveu-se sobretudo à cultura da seringueira e que vem apresentando expansão, introduzida pela empresa Plantações Eduard Michelin.
A área de pastagens plantadas também teve grande acréscimo em Itiquira.
Cabe mencionar ainda, que no setor primário, o garimpo de diamantes em Itiquira absorve parcela significativa da PEA. O garimpo é praticado no rio Itiquira e em diversos outros córregos.
Apesar de uma arrecadação expressiva em termos globais, ela é insuficiente para cobrir satisfatoriamente as demandas de serviços de infra-estrutura.
As principais demandas reprimidas em Itiquira dizem respeito aos setores de saúde e infra-estrutura viária. A municipalidade destina 10% de seu orçamento para o setor de saúde que é complementado com verbas do Sistema Unificado de Saúde – SUS.
A manutenção das estradas municipais, de responsabilidade da prefeitura, também não é efetivada em um nível satisfatório, apesar dos esforços da administração municipal em dar uma atenção especial ao setor, tentando diminuir as dificuldades encontradas principalmente na época das chuvas que coincide com a colheita da safra agrícola.

Lazer
Os rios constituem importante alternativa de lazer em Itiquira. Os banhos e até mesmo a canoagem são algumas das formas pelas quais a população utiliza os rios como recurso de lazer. Os principais rios utilizados para banho são: Itiquira, Correntes, São João, Congonhas, Comprido, Boa Esperança.
Duas cachoeiras merecem destaque. Uma a do Roncador localizada à 03 Km da cidade serve para passeios de fins de semana da população local e faz parte da história do município por ter servido de palco em 1927 para o confronto das tropas legalistas do governo e os militantes da Coluna Prestes, denominada de Revoltosos.
Também a cachoeira da Leopoldina com seus 25 metros de altura, distante 18 Km da cidade é uma das mais exuberantes paisagens da região. Existem ainda outras 6 cachoeiras no município que servem de igual modo para o lazer interno.
O ginásio de esportes Robertão possui uma estrutura excelente, muito além das necessidades da cidade, serve para diversas e constantes atividades da cidade e convidados da região.
Existem também diversos bares e lanchonetes que servem a população e visitantes.
O parque de exposição “Inocentino Bortolini” é dotado de uma excelente infra estrutura e nele se realiza anualmente a tradicional festa do peão e boiadeiro. Os bailes que ocorrem com freqüência e os demais acontecimentos
sociais como formaturas e convenções, são realizados no amplo e bem instalado salão de festas do mesmo parque.

No calendário turístico estão reservadas as datas para a realização das seguintes festas:

20 JANEIRO
SÃO SEBASTIÃO

VARIÁVEL – FEVEREIRO
CARNAVAL DE RUA

VARIÁVEL – MAIO
RODEIO CRIOULO

16 JULHO
NOSSA SENHORA CARMO

VARIÁVEL – JULHO
FESTA DO PEÃO E BOIADEIRO

01 DEZEMBRO
ANIVERSÁRIO DA CIDADE

O município conta ainda com diversas belezas naturais ainda não exploradas turisticamente sendo o Pantanal uma delas.

Turismo/Lazer
Os rios constituem importante alternativa de lazer em Itiquira. Os banhos e até mesmo a canoagem são algumas das formas pelas quais a população utiliza os rios como recurso de lazer. Os principais rios utilizados para banho são: Itiquira, Correntes, São João, Congonhas, Comprido, Boa Esperança.
Duas cachoeiras merecem destaque. A do Roncador localizada à 03 Km da cidade serve para passeios de fins de semana da população local e faz parte da história do município por ter servido de palco em 1927 para o confronto das tropas legalistas do governo e os militantes da Coluna Prestes, denominada de Revoltosos.
Também a cachoeira da Leopoldina com seus 25 metros de altura, distante 18 Km da cidade é uma das mais exuberantes paisagens da região. Existem ainda outras 6 cachoeiras no município que servem de igual modo para o lazer interno.
Através da Deliberação Normativa nº 408 de 03.08.99 a EMBRATUR outorgou a Itiquira, pela terceira vez, o Selo de Município Prioritário para o Desenvolvimento do Turismo possibilitando a inclusão do município no Plano Nacional de Municipalização do Turismo – PNMT.

O patrimônio arqueológico
O patrimônio arqueológico do Estado de Mato Grosso se define por uma marcante diversidade cultural desde a sua pré-história.
No município de Itiquira podem ser encontrados certos elementos desse patrimônio. Esta região está inserida no mapa de Curt Nimuendajú (IBGE,1987) em área de ocupação pretérita dos índios bororo e bakaeris,
definindo-se como área de limite destes grupos com os cayapós à época do povoamento do Mato Grosso.
Em Itiquira, a referência aos bororos como sendo os primeiros habitantes do local é bastante divulgada.
Nas pesquisas de campo foram detectados vestígios arqueológicos no rio Sozinho próximo a uma barragem. Também existem algumas informações não totalmente confirmadas, sobre a existência de cerâmica nos limites da cidade de Itiquira, no terreno onde está instalado o Auto Posto Itiquira.
Recentemente foram encontradas inscrições rupestres nas imediações da usina Hidrelétrica de Itiquira, e na fazenda Olho d’água do proprietário Oscar de Carvalho. Denominado “Abrigo pedra de fogo”.
Referências Bibliográficas
OLIVEIRA, Aldo Anisésio. Águas Verdes de Itiquira. 1ed. 1990. .
Itiquira 31 Anos – Prefeitura Municipal de Itiquira .1984
FERREIRA, João Carlos Vicente. Mato Grosso e seus municípios. 2001 .
SILVA, Hermano R. Os garimpos de Mato Grosso. 1936
DOURADO, Manoel Marques. Monografia de Itiquira. 1998.